WAGNER RODRIGUES POETA E CRONISTA

TEXTOS ORIGINAIS E PUBLICADOS NOS LIVROS DO AUTOR

  • O diabo e o maquinista (Poema de Bolhas de sabão)

    O maquinista sabia

    Dessas coisas do destino.

    Contra ele não bulia,

    Pois seria um desatino.

    Agradecer a Deus ocorria

    Ao fim de cada viagem,

    Que da próxima vez haveria

    Formado camaradagem.

    Mas, nem só de bondade

    É feito este mundo redondo.

    Para falar bem a verdade,

    Tem-se mais do hediondo.

    Assim, se juízo o tens,

    Ignora-lhe o rabo,

    Não custa a ti dar também

    Uma esmola ao vil Diabo.

    Algum dia poderás

    Carecer de algum favor

    E ao demo exigirás

    Sua dívida recompor.

    Esta lenda e muitas outras

    Meu avô sempre contava,

    Contador que ele era,

    De contar não se cansava.

    No Alentejo assim se diz:

    “Se quiseres ser feliz,

    Faze tu sempre o bem,

    Não te cates para quem”.

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  • O trono de Israel (Crônica de Deuses no divã)

    Essa é uma confissão que preciso fazer. Muitas vezes permito a meus escolhidos coisas que não permitiria a mais ninguém. A descendência de Abrão chegou a Davi e Salomão e esta casa chegaria até meu ungido Jesus, não diretamente, já que ele é meu filho. Jesus está ligado a Davi através do pai adotivo, José, carpinteiro e construtor e, provavelmente, através da mãe.

    Bom, a coisa toda começou com Davi. Um baixinho muito mulherengo que me amava bastante, apesar de tudo. Davi matou o gigante filisteu, Golias. Esta luta aconteceu durante o reinado de Saul, então rei da tribo de Judá. Saul havia prometido muitas riquezas e a mão de sua filha em casamento àquele que vencesse o gigante que humilhava os israelenses da tribo de Judá. Aceitar o desafio não era coisa para qualquer um, já que Golias tinha mais de seis côvados, como bem relatou Samuel. Vejam:

     “E os filisteus estavam num monte de um lado, e os israelitas estavam num monte do outro lado; e o vale estava entre eles.
    Então saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era Golias, de Gate, que tinha de altura seis côvados e um palmo.
    Trazia na cabeça um capacete de bronze, e vestia uma couraça de escamas; e era o peso da couraça de cinco mil siclos de bronze. 1 Samuel 17:3-5

    Samuel era meio exagerado para contar as vantagens do povo escolhido. Seis côvados equivaleriam a mais de quatro metros. Na verdade, Golias era mais para um bom jogador de NBA, com pouco mais de dois metros de altura e quase cento e cinquenta quilos. Já Davi era bem jovem e franzino, mas quis aproveitar a oportunidade. Com uma funda e uma pedra de bom tamanho que costumava usar para proteger o seu rebanho dos predadores, ele deu conta do gigante que caiu desmaiado. Em seguida, com a própria espada do filisteu, cortou-lhe a cabeça, matando-o de vez.

    Assim, Davi, apenas um jovem pastor de ovelhas, passou a ter o direito de se casar com uma princesa e tornar-se pretendente ao trono de Saul, rei da tribo de Judá.

    A bagunça real começou logo em seguida. O primogênito de Saul teve sentimentos por Davi. Veja como Samuel descreve a situação:

    “E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma.
    E Saul naquele dia o tomou, e não lhe permitiu que voltasse para casa de seu pai.
    E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma. 1 Samuel 18:1-3

    Samuel não deixa claro se o amor era platônico ou não. Para o bem de todos, acho melhor deixar assim mesmo.

    Saul não ficou muito contente com a rápida fama que Davi conquistou. Temendo tal popularidade, resolveu que seria melhor dar cabo de Davi antes que este se tornasse uma ameaça maior.

    Saul já havia negado a mão da filha mais velha. Para dar fim a Davi, Saul simulou oferecer a Davi a mão de Mical, sua outra filha que, na verdade, também tinha sentimentos pelo jovem pastor. Ao invés de algum dote, Saul pediu que Davi trouxesse o prepúcio de cem filisteus. Saul esperava que Davi morresse ao tentar tal façanha. Pensem bem se esse é pedido que se faça! Acontece que Davi, com minha benção, foi mais que bem-sucedido. O jovem voltou da grande batalha com nada menos que duzentos prepúcios desses inimigos de Israel.  Não teve jeito, o casamento acabou por acontecer.

    Mical foi a primeira das esposas que Davi teve. Longe de ter sido a única esposa, ao menos foi a que se casou com Davi antes dele ser rei.

    Saul fez de tudo para atacar o pretendente ao reino por inúmeras vezes. Só não teve sucesso pela contínua intervenção de Mical e também de Jonatas.

    A rivalidade dentro da tribo de Judá continuou como uma guerra civil até mesmo depois da morte do rei Saul. Finalmente Davi se consolidou como rei dos descendentes de Benjamin para, mais tarde, unir todos os israelenses. Tornou-se o rei de toda minha nação, isto é, da nação dos meus escolhidos.

    Para encurtar a história, Davi teve outras sete mulheres. Algumas dessas esposas foram tomadas de outros homens que foram mortos com ou sem auxílio do rei. Entre elas, inclusive, uma das esposas do próprio rei Saul. É mole esse Davi? Davi se casou com a própria sogra! Era um tremendo safado, esse meu querido rei.

    Claro que o caso mais famoso foi com Bate-Seba, mulher casada com Urias, general do rei. Desse último casamento de Davi, nasceram mais filhos, entre eles Salomão. Como a mulher era magistralmente bela, Davi lhe prometeu que Salomão seria o futuro rei de Israel, apesar de não ser o mais velho dentre os filhos vivos de Davi. Claro que essa promessa gerou ainda mais intrigas reais.

    Adonias, por ser o mais velho entre os filhos de Davi, achava que merecia ser o sucessor ao trono. Dessa forma, Adonias assumiu o trono por conta própria com a benção de alguns sacerdotes. Entretanto, Davi, que já havia aprovado o reinado de Adonias, sucumbiu aos pedidos de Beta-Seba, provocando uma verdadeira cisão entre os ungidores de reis.

    Quando, finalmente, Salomão sobe ao trono, em sua grande sabedoria manda rapidamente matar seu meio irmão Adonias para acabar com qualquer pretensão de ser derrubado. Adonias havia apelado por misericórdia à própria mãe de Salomão, mas o novo rei não vacilou. Vejam:

    “Assim foi Bate-Seba ao rei Salomão, a falar-lhe por Adonias; e o rei se levantou a encontrar-se com ela, e se inclinou diante dela; então se assentou no seu trono, e fez pôr uma cadeira para a sua mãe, e ela se assentou à sua direita.
    Então disse ela: Só uma pequena petição te faço; não ma rejeites. E o rei lhe disse: Pede, minha mãe, porque não ta negarei.
    E ela disse: Dê-se Abisague, a sunamita, a Adonias, teu irmão, por mulher.
    Então respondeu o rei Salomão, e disse a sua mãe: E por que pedes a Abisague, a sunamita, para Adonias? Pede também para ele o reino (porque é meu irmão maior), para ele, digo, e também para Abiatar, sacerdote, e para Joabe, filho de Zeruia.
    E jurou o rei Salomão pelo Senhor, dizendo: Assim Deus me faça, e outro tanto, se não falou Adonias esta palavra contra a sua vida.
    Agora, pois, vive o Senhor, que me confirmou, e me fez assentar no trono de Davi, meu pai, e que me tem feito casa, como tinha falado, que hoje morrerá Adonias. 1 Reis 2:19-24

    Fratricídio foi uma das primeiras ações do sábio Salomão.

    Bom, o mais sábio dos reis de Israel, segundo eu mesmo, tinha claramente o sangue do pai no quesito gosto pelo sexo frágil. Vejam:

    “E o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, além da filha de Faraó: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias,
    Das nações de que o Senhor tinha falado aos filhos de Israel: Não chegareis a elas, e elas não chegarão a vós; de outra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se uniu Salomão com amor.
    E tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração. 1 Reis 11:1-3

    Podem imaginar? Uniu-se com amor a mil rabos de saia! Esse Salomão era mesmo um tremendo garanhão. Superou, em muito, o pai no quesito.

    Assim como o pai, Salomão reinou por quarenta anos. Façamos as contas. Quarenta anos são aproximadamente quatorze mil e quinhentos dias. Com mil mulheres que ele tomou por amor, significa que ele trocava de mulher a cada quinzena. Isto se imaginarmos que manteve o ritmo mesmo na sua velhice. Convenhamos! Não é coisa para amador.

    Pois é! Dessa casa prometi meu ungido Jesus. Agora me digam? Crescendo nessa casa, dá para criticar se meu ungido teve alguma afeição por Maria Madalena?

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  • ÉTER (Crônica de Deuses no divã)

    Não me confundam com o anestésico, o etoxietano que muita gente cheirou para fazer amidalectomia nos meados do século XX. Sou um deus, não uma substância. Mais ainda, sou um dos deuses primordiais da idade de ouro da humanidade. Sou filho de Érebo (trevas) e neto de Caos, o primeiro de todos os deuses. Falam deles até no livro de Gênesis: “No princípio Deus criou os céus e a terra. Era a terra sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. Gênesis 1:1,2” Minha mãe é Nix, a deusa noite. Assim, sou um deus de primeiríssima estirpe.

    Notem os senhores que, até alguns curiosos da física mais moderna se intrometerem no que não deviam, eu era a explicação para muita coisa que acontecia no cosmo. Isto era aceito por todos os cientistas da humanidade. Sir Isaac Newton acreditava piamente em mim, assim como todos seus discípulos da física clássica. Tudo ia maravilhosamente bem até o alemão Albert Michelson e o americano Edward Morley se unirem para tentar me ver e até me medir. Vejam o absurdo. Ver e medir um deus!

    O que eles fizeram é meio difícil de entender, até mesmo para um deus. Mas pretendiam provar que a luz viajava a uma velocidade constante através de mim, o Éter. Isso muito me lisonjeava. Seria eu as ordenadas de referência de tudo? Eu era considerado desde Galileu até Newton, até esse experimento desgraçado, como o meio absoluto no espaço pelo qual todas as ondas eletromagnéticas, como a luz, se propagavam. Eu era o oceano delas!

    Bom, a coisa começou a complicar com a matemática do Maxwell. Na verdade, a dupla américo-germânica tinha boa intenção e pretendia mostrar que eu estava lá e tinha este importante papel na ciência, desmentindo as continhas do Maxwell.

    A engenhoca deles devia mostrar resultados provando meus predicados. Entretanto, acabaram por provar o contrário. Chegaram à triste conclusão de que eu não existia!

    Em seguida, veio o tal do Einstein e chutou a barraca de vez. Fui colocado de lado, juntamente com o Cronos, em favor desse deusinho vaidoso, o Apolo, o deus da luz.

    Esse Apolo, apesar de toda pompa, como perceberam todos os escultores romanos, não era muito bem-dotado, se é que entendem o que eu estou dizendo. Podia ter muita energia, mas a matéria não estava onde devia…

    Eu sei que digo isso porque estou indignado. Na verdade, estou bastante chateado com vocês humanos. Essa coisa de relatividade, de transformadas parabólicas são coisas lá do Hades. Ele é que fica enfiando minhocas na cabeça de vocês.

    Falando em minhoca, houve um inglês tresloucado que ficou dizendo que, além de eu não ser um Éter absoluto, ainda estaria cheio de buracos de minhoca.

    Isso já é demais!

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  • Se o éter existisse…(Poema de No limite da consciência)

    Se o éter existisse as coisas seriam mais simples

    Durar seria certeza, não dependeria de mim

    Que me movo pelo Universo montado no nosso Planeta

    Girando em torno do sol, a percorrer a Via Láctea,

    Brincando com outras estrelas em torno de Sag-A,

    O devorador de matéria mais guloso da galáxia,

    Que vomita o que devora, pois não tem como aguentar

    A comilança tremenda com que quer se alimentar.

    Por mais que alguém tentasse as medidas não saíram,

    Saiu sim uma outra coisa que mudou toda ciência

    E tornou o passar do tempo uma pobre anomalia

    Numa síntese intrincada com o espaço que nascia.

    Surgiu um titã mais forte, imutável redutor,

    Mais estável que a idade, implacável corredor,

    Vencendo até a eternidade que se julgava senhora

    Da história de nós todos e que servia de juíza

    Dos fatos e de todas as guerras, dos poetas e pensadores,

    De sábios que confiaram no seu passar triunfante.

    Foi morrer em vã destraça, singelo denominador

    Do senhor da nova ciência, definidor da verdade,

    Trazendo em jugo o nosso tempo, num simples facho de luz.

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  • Dupla fenda (poema de No limite da consciência)

    Às vezes sinto vontade de pensar no impossível,

    Nas realidades estranhas de experiências muito loucas

    Que ofendem o nosso senso com efeitos intrigantes,

    Mas tão reais quanto tudo e mais reais que o espanto.

    Sobre as interferências das ondas,

    Por volta de um mil e oitocentos

    Já havia Thomas Young

    Nos brindando com experimentos

    Da ótica tradicional.

    A luz ao passar pelas fendas

    Definia duas origens de ondas

    Que se ampliavam ou sumiam

    Projetando numa tela plana

    Listras de sombras e de luz.

    A zebra assim desenhada

    Era como se duas pedras num lago

    Provocassem dois grandes círculos

    De ondas que se chocassem,

    Provocando outras ondas

    Diferentes das primeiras,

    Partes por elas ampliadas

    Entre partes bem maneiras.

    Anos após veio o espanto

    Que a mesma experiência daria

    Feitas com feixes de elétrons

    Que o mundo então mudaria.

    Não que mudasse de fato

    Pois o fato era de fato obtuso

    Só difícil de aceitar

    Deixando mesmo o sábio confuso.

    O elétron, uma pequena pedrinha,

    Teve um mal comportamento,

    Pois mudava de atitude

    Quando olhado por um momento.

    Se ninguém o vigiasse

    Seguia como o feixe de luz,

    Mas se olhado por curiosos

    Outro percurso o seguia.

    Isto não prestava à ciência

    Tal como então se entendia.

    Como esse elétron malandro

    Teria tamanha ousadia?

    Até Einstein não aceitou

    Essa atitude pilantra.

    Estaria Deus a jogar dados

    Ou os dados a criar mantras?

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  • Lamento (Poema de No limite da consciência)

    Angústia que me atormenta

    Das incertezas da vida,

    Da falta de tempo que tenho

    Para cumprir minha sina,

    Dos amores que deixei soltos

    Pelas tarefas infindas,

    Dos lugares que não vi

    Pelas necessidades cumpridas,

    Dos saberes que perdi

    De todas leituras não lidas,

    Dos planos que deixei soltos

    Por atos da vida corrida,

    Nos sonhos que não cumpri

    Por deixá-los sem guarida,

    Da vida que não vivi

    Nesta morte já sentida.

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  • Poesia pura (Poema de Pássaro na gaiola)

    Antes de ser poeta há que ser humano.

    Antes de ser humano há que ter vida.

    Há de ser pó e água,

    Substância, átomos, elétrons.

    Há de girar spins e spins.

    Há de ser e não ser, estar e não estar,

    Abastecer-se da incerteza da existência,

    Viver da probabilidade, das leis, do rigor.

    Antes de ser poeta há que ser cosmos.

    Há ter existido num ponto infinitesimal

    Junto de tudo e de todos

    Na caldeira cósmica atemporal.

    Antes de ser poeta há de ter sido poesia puraDe Deus, deuses ou do acaso

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  • Estranheza (Poema de No limite da consciência)

    Leis estão para lidar

    Com tudo mesmo que acontece,

    Mas o porquê de assim ser

    É o que queria que soubesse.

    Queria poder entender

    Como ocorre isso tudo,

    Ser capaz de explicar

    A razão de ser assim.

    Saber que aquilo ocorre

    Toda vez, pois se repete,

    Não satisfaz minha mente

    De forma que me complete.

    Me causa maior estranheza

    As coisas serem assim.

    Estranho se assim não o fossem,

    Estranho que sejam assim.

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  • Origem (Poema de No limite da consciência)

    A árvore genealógica

    Se levada até o fim,

    Passaria pelo Big-Bang

    E voltaria para mim.

    Porque sem o interesse

    Ou a ciência do fato

    A existência seria inútil,

    Como é inútil esse relato.

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  • Fim do mundo (Poema de Pássaro na gaiola)

    O mundo irá acabar.

    Tenho ciência do fato,

    Mas antes desse desfecho,

    O homem, com toda certeza,

    Acabará com a estada

    Da vida neste planeta.

    Não há como evitar

    A praga que está instalada.

    Presença que extingue, em seu ato,

    Tudo que a vida montou.

    Nos milênios percorridos

    Desde o início do surto,

    Está destruindo, em segundos,

    O dia que a vida criou.

    Ainda inventamos mil deuses,

    Todos brutos e insanos,

    Por escolher-nos a raça

    No comando de espécies

    Que teimamos agredir.

    Que nos servem de alimento,

    De transporte em sofrimento,

    Que oferecemos em altares,

    Em nossas festas, jantares,

    Que sufocam em nossas redes

    Ou na morte, sem sentido,

    Em troféus pelas paredes.

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