
Aliás nem é a forma, mas a quem alguma forma possa servir.
Do mesmo jeito em que o crime teria sido cometido pela justiça de Curitiba e pelas das estâncias que confirmaram justas sentenças, novamente, os verdadeiros criminosos são declarados vítimas. Tudo porque fatos não são acolhidos lá no alto da nossa justiça. Para eles, fatos criminosos não importam… só importa o rito. Se falhou o rito, na opinião de quem tem o poder, já não há o fato.
Se funcionou antes… vai funcionar comigo.
Como dizia o poeta, vou embora para Pasárgada. Afinal é bom ser amigo do rei. Acontece que somos todos as mulheres do reino. Só nos resta deitarmo-nos nas camas escolhidas, preferencialmente em decúbito ventral e esperar o inevitável.
O show de horrores que ocorreu na fria terça feira de 15 de setembro de 2026, infelizmente, não surpreendeu ninguém. Apenas deixou claro que nossa Constituição está com a porta aberta e com a chave na ignição.
Aquilo que poderia ser o início da redenção da nossa consciência, do nosso zelo, da nossa pátria, apenas concretizou que estamos sem proteção.
A lei está a serviço de seus controladores, não a serviço da justiça e muito menos a serviço do cidadão de bem.
Deve temer quem ansiava por justiça, pois só caberá choro e ranger de dentes aos que ousaram ter esperança.
Esses poderosos, que apenas podiam ser vigiados por seus pares, agora podem relaxar. Seus pares escolheram a impunidade geral e irrestrita deles mesmos. Como disse um dos ministros em sua toga, o voto ignorará a opinião pública!
O que, afinal, significa que a opinião pública não conta?
Na minha opinião, significa que a tal da Constituição mentiu quando tentou dizer em seu preâmbulo:
“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil.”
Se quem redigiu a constituição se dizia “representantes do povo brasileiro,” como pode a opinião pública não contar?
Em que raio de “democracia” alguém imagina que sabe melhor o que é bom para o “povo brasileiro” do que a opinião que os cidadãos expressam?
Se o povo é considerado “massa de manobra” e que sua opinião pública não vale nada, como podem os “Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte” ter legitimidade para redigir alguma coisa?
Digníssimos, com todo respeito com a função que ocupam, a opinião do povo vale sim. A opinião do povo, em sua maioria, escolhe todos os seus representantes para dirigi-los e esses representantes acabam por escolher quem veste a toga máxima do nosso país. As vossas togas.
Quem veste a toga dessa instituição magna, eu acredito, deveria zelar por sua conduta. Não o zelo de todo cidadão comum, mas o zelo exemplar em todos seus atos.
Isto, já faz muito, não ocorre.
Para mim, já não importa mais desmoralização ou redenção.
A democracia já foi destruída.
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