Sei que sou um deus controverso. Mas há de convir que quem tem um pai como Cronos, que come seus filhos para manter o poder, acaba com algum tipo de psicose. Ainda bem que ele era guloso e não gostava de mastigar. Imaginem como meus irmãos teriam ficado se fossem todos mastigados!
Como devem saber, graças a minha ardilosa mãe, que também era péssima cozinheira, eu não fui comido por meu pai. Ela serviu-lhe uma pedra, ao invés disso, toda vestidinha de bebê. Cronos a engoliu de uma vez.
Cresci na base de leite de cabra e mel, distante do meu pai. Quando estava bem fortinho, parti para o revide. Primeiro consultei uma amiga sílfide, uma vez que era bulímica. Ela recomendou que eu usasse xarope de ipeca para provocar vômito em Cronos.
Vomitados já adultos, meus irmãos e eu iniciamos a guerra dos dez anos contra meu pai e outros Titãs. Foi uma guerra terrível, mas não morreu ninguém, não. Éramos todos imortais e, no máximo, conseguia-se submissão. Mais ou menos como no MMA. Graças a meu raio, presente generoso que ganhei dos meus tios-avôs, os ciclopes; eu, Zeus, e meus irmãos vencemos a batalha derrotando os titãs. Foram todos presos num lugar infernal, chamado tártaro.
Acontece que um dos titãs era escultural. Lindo e muito forte. Mesmo no tártaro seria sedutor demais para as humanas. Não gostei nada daquilo. Poderia até haver suicídio coletivo só para encontrá-lo. A solução foi condená-lo a carregar a terra, que como também devem saber, no meu tempo, era em forma de disco. Debaixo do disco da terra, Atlas não podia ser visto pela mulherada que estava em cima.
Já lá no seu castigo, Atlas teve um desentendimento com um dos meus filhos, o Hércules. Esse meu filho era forte e muito trabalhador. Num dos seus trabalhos ele precisou da ajuda de Atlas. Para que Atlas o ajudasse em um dos seus trabalhos, prometeu que iria ser o substituto no castigo de segurar a terra. Atlas o ajudou e estava todo feliz, quando Hércules pediu-lhe que segurasse um pouco a Terra de volta, para limpar o nariz. Inteligência sempre faltou a Atlas. Ao pegar a Terra de volta foi enganado por meu filho, que saiu de mansinho.
Achei a situação meio constrangedora pela safadeza de meu filho. Afinal sou deus, não sou?
Para fazer alguma justiça, fui deixando a terra arredondar-se, criei a força da gravidade que foi chamada de pilares de Hércules. Assim, finalmente, pude aposentar Atlas, que virou um oceano. O Oceano Atlântico, certamente! Atlas ficou com a boca aberta, pois não esperava tal magnanimidade da minha parte. Sua boca aberta criou o estreito de Gibraltar. Bem maluco, não é? Religião de grego é assim mesmo.
Quem começa a ler meus ensinamentos a meu querido Mohamed pode pensar que estão diante de algum Torah II. Como se eu fosse um George Lucas…
Não é isso, não! Acontece que eu, assim como o Jeová, somos um só. Apenas eu sou uma versão de mim mesmo que escolheu o outro dos “brimos” como ouvinte.
Reconheço, nessa nova versão, tudo o que disse na versão anterior. Não poderia ser diferente, pois eu sou perfeito, onipotente, onipresente, todo poderoso, o que tudo sabe e tudo vê! Apenas, para ser politicamente correto com Mohamed, fui dando mais ênfase no ponto de vista desses outros súditos, quero dizer povo. Vocês entenderam, não é?
É a mesma coisa dita de um outro jeito. Lá estão todos os personagens importantes: Adão, Moisés, o rei Salomão, o Juízo final e, claro, o Lúcifer. Muito importante esse Lúcifer, nas duas versões! Sem ele não haveria enredo algum! Seria um tal de cantar musiquinhas, comer frutinhas que não as da árvore da ciência do bem e do mal, conversar com os bichinhos. Um tédio total!
Devo reconhecer que devo a Lúcifer muito do meu prestígio.
O que seria de Hércules se não fossem a Hidra de Lerna ou o Leão de Neméia? Do Batman sem o Coringa? Todo herói tem que ter um vilão. E eu sou o maior dos heróis!
Eu sou um deus de justiça e reconheço o papel dele. Lembrem-se que ele foi meu principal arcanjo!
Claro, sou o bonzinho na história e tenho que botar para quebrar quando lido com ele! No final, vou colocá-lo numa fogueira eterna de enxofre fedido por tudo de mau que ele fez, junto com todos os humanos que ele seduziu!
Como não devia? Quem vocês pensam que são?
Aqui quem manda sou eu! É justo como eu decido e ponto final.
Neste texto vou me ocupar de temas que me são caros e creio que estejam presentes, se não com frequência, pelo menos nos momentos mais críticos da vida.
Se me perguntarem se eu creio que Deus existe, minha resposta honesta seria: “Não tenho a menor ideia!” Não há como evitar a crença, mas há como evitar a desonestidade. O ateu, se assim se denominar, acredita que Deus não existe.
No meu caso e no caso da maioria das pessoas que buscam as respostas verdadeiras, esse Deus que talvez exista ou talvez não exista seria um Deus muito peculiar. Um Deus que certamente falha ou desconsidera comunicar-se, um Deus autista, desinteressado ou realista da absurda tentativa de se fazer entender. Não sei ao certo. Assim, sua existência admitiria a coerência de não intervir na criação.
Os deuses criados pelas civilizações para atenuar a angústia da finitude são só isso. Criações obtusas da sociedade, desprovidos de razoabilidade. Todas as religiões derivadas do judaísmo, como o islamismo e todas as fés cristãs falham já na própria contagem do tempo. Na leitura dos escritos sagrados dessas religiões, o leitor que saiba somar e interpretar texto concluirá que nosso universo teria sido criado dentro de um tempo ridiculamente pequeno, pouco mais de seis mil anos. Na leitura de Gênesis, ao somar as gerações com suas figuras destacadas, pode-se concluir que, desde a criação de Adão até o dilúvio, teriam passado apenas 1656 anos. Do dilúvio até o nascimento de Abrão, figura fundamental em todas essas religiões, mais 352 anos. De Abrão até Jesus Cristo, outros 1996 anos e de Jesus até agora os 2024 anos que marcam nossa era. A menos que se acredite que a humanidade está no universo há 6028 anos e que o Universo tenha esses 6028 anos mais sete dias, fica difícil acreditar nessas religiões.
O espiritismo, religião que tenta usar a ciência como base, também falha de forma mais sutil na matemática. Para que todos que hoje vivem terem experimentado a evolução pela reencarnação, não haveria vidas passadas suficientes. O crescimento geométrico da população da Terra não deixa a conta fechar. Não teria havido vidas suficientes para tantas reencarnações. Precisaríamos que fosse feito um ajuste na teologia espírita com uma grande fábrica de novas almas.
Confesso entender muito pouco de filosofia, exceto o essencial. Definir seu objeto é distinto do que em outros campos mais específicos do conhecimento.
É claro o objeto da matemática, da física, da história, da economia, mas definir o objeto da filosofia de forma diferenciada não é realista. Este campo do pensamento humano, por ser o original, é o motor de todo resto, não de si mesmo.
Filosofia é o efeito da curiosidade, da necessidade de saber que existe no ser humano. É o alimentar-se do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Sendo assim, ela nunca será conclusiva. Isso não deve assustar ninguém.
Eu imagino que se Deus existir e se ele tiver uma linguagem, ela seria a matemática. Talvez porque a matemática seja a língua que descreve as leis do universo. Mesmo o universo da incerteza e ambiguidade da física quântica não prescinde da matemática.
Não sabemos ainda se o Universo é finito ou infinito. Houve um momento que os físicos acreditaram ter chegado perto do fim da sua ciência. Acreditaram que Newton teria codificado quase tudo que a física podia comportar. Hoje, os físicos conhecem muito mais e só estão mais confusos. Não há nenhuma teoria forte o suficiente para ser comprovada.
Assim não há o que criticar na filosofia se ela não se define.
A filosofia, por ser honesta, mas humana, funciona como um pêndulo. Ora privilegia a razão, ora o experimento.
Da mesma forma funciona o pensamento ideológico.
Ideologias são formas de imaginar o que é melhor para uma vida em sociedade.
Melhor como?
Sem ter essa resposta, não acredito que exista a possibilidade de discussão sobre ideologia.
É fundamental esclarecer o que se pretende com a vida social antes de imaginar qual ideologia seria mais adequada. Assim como na filosofia é importante definir o que se pretende com esse esforço. Qual o objetivo?
O objetivo poderia ser alcançar a felicidade.
Qual felicidade? Felicidade da maioria, das minorias, dos oprimidos, dos seres de boa vontade? Difícil, não é?
Talvez pudesse ser alcançar a igualdade. Uma justiça, mesmo que fosse uma justiça miserável? Pois justiça, sem prosperidade, seria esse tipo de justiça.
Talvez seria alcançar a prosperidade da sociedade e da maioria dos membros da sociedade. Ou mesmo alcançar a prosperidade de toda sociedade em algum momento e da maioria possível no processo. Poderia ser esta uma ideologia válida?
A origem do pensamento ideológico surge na revolta contra a estrutura anterior de uma sociedade, na revolta da plebe contra a nobreza, do proletariado contra o capitalista, mas não só isto. Surge no descontentamento não só das minorias, mas de todas as formas de opressão. Opressão de raça, opressão religiosa, opressão de gênero e todas as demais. Houve avanço do pensamento e das conquistas progressistas em certas sociedades, enquanto noutras continua uma amarga e feroz opressão.
Como todo pêndulo, há o momento em que a massa passa do ponto de equilíbrio e começa a desafiar a gravidade. A consequência é inevitável, pois a energia contrária irá se acumular até o insuportável.
Acredito que na estruturação das relações econômicas é onde o pêndulo desafia a revolução ideológica. Justo na área mais elaborada pelos teóricos da ideologia é onde o ideal não se confirma. Pelo contrário, onde ocorrem os mais graves erros do pensamento progressista.
Na evolução do pensamento Marxista, a inevitável revolta nos levaria a sociedades igualitárias dominadas pelo proletariado, nas quais, em algum momento, haveria prosperidade e justiça. Mas, na prática, onde houve a revolução do proletariado, as consequências foram trágicas. Tragédias econômicas e tragédias sociais. Quase todas criaram regimes ditatoriais dos mais opressores e não criaram prosperidade. Pelo contrário. Todas declinaram de forma crítica. Mesmo os movimentos socialistas que aconteceram em economias desenvolvidas, como as dos países nórdicos, o baque econômico ocorreu. Algumas dessas sociedades desabaram e o contraste de países divididos entre os dois regimes, como a Alemanha, escancarou o fracasso do comunismo. Para sobreviver, a China abandonou a dinâmica equalitária e apelou ao capitalismo, mantendo sua ditadura no poder.
Para evoluir o pensamento na escolha ideológica para o progresso há que se entender como age e a que responde o ser humano.
A primeira derivação de Henri de Santi-Simon “A cada um conforme suas capacidades, a cada capacidade conforme suas obras” (“À chacun selon ses capacités, à chaque capacité selon ses œuvres”) foi modificada por Louis Blanc no texto Organisation du travail, de 1839: “De cada um conforme seus meios, a cada um conforme suas necessidades” (“De chacun selon ses moyens, à chacun selon ses besoins”) que foi popularizada a partir da obra de Karl Marx. Todas essas variações poéticas derivam da parábola dos talentos de Mateus 25 – versículos 14 a 30:
14 E também será como um homem que, ao sair de viagem, chamou seus servos e confiou-lhes os seus bens.
15 A um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um; a cada um de acordo com a sua capacidade. Em seguida partiu de viagem.
16 O que havia recebido cinco talentos saiu imediatamente, aplicou-os, e ganhou mais cinco.
17 Também o que tinha dois talentos ganhou mais dois.
18 Mas o que tinha recebido um talento saiu, cavou um buraco no chão e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19 “Depois de muito tempo o senhor daqueles servos voltou e acertou contas com eles.
20 O que tinha recebido cinco talentos trouxe os outros cinco e disse: ‘O senhor me confiou cinco talentos; veja, eu ganhei mais cinco’.
21 “O senhor respondeu: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!’
22 “Veio também o que tinha recebido dois talentos e disse: ‘O senhor me confiou dois talentos; veja, eu ganhei mais dois’.
23 “O senhor respondeu: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!’
24 “Por fim, veio o que tinha recebido um talento e disse: ‘Eu sabia que o senhor é um homem severo, que colhe onde não plantou e junta onde não semeou.
25Por isso, tive medo, saí e escondi o seu talento no chão. Veja, aqui está o que pertence ao senhor’.
26 “O senhor respondeu: ‘Servo mau e negligente! Você sabia que eu colho onde não plantei e junto onde não semeei?
27 Então você devia ter confiado o meu dinheiro aos banqueiros, para que, quando eu voltasse, o recebesse de volta com juros.
28 ” ‘Tirem o talento dele e entreguem-no ao que tem dez.
29 Pois a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado.
30 E lancem fora o servo inútil, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes’.
Creio que o cristão olhava o homem com mais realismo, sem o romantismo socialista. O socialismo original foi sendo modificado aos poucos e para pior, por ignorar como funciona o homem em sociedade. O trabalhador, que não é compensado segundo seu esforço, acaba tornando-se menos ou nada produtivo. Sem a produção de cada um, segundo sua capacidade, a sociedade fracassa. Se não houver riqueza, não haverá o que ser distribuído.
O empreendedor, não é o nobre preguiçoso e explorador. Ele encontrou formas eficientes de criar riqueza. Ele dá oportunidade ao trabalhador e o bom trabalhador que atua com mais eficiência será disputado entre os empreendedores e será compensado na proporção do seu esforço e capacidade. Quanto mais empreendedorismo maior será a demanda para o trabalho e maior a compensação ao trabalhador. Quanto mais compensação, maior será a demanda por riqueza, completando o ciclo virtuoso. Esse não é um pensamento utópico. Não é romântico, mas foi provado e comprovado nas sociedades que, de fato, evoluíram neste quesito. O trabalho escravo levou a sociedade apenas a uma fração daquela na qual o esforço é recompensado devidamente, na proporção da expectativa do trabalhador e do valor do que é criado. A esmola leva o ser humano à atitude do servo de Deus que recebe um talento e o enterra ou o aposta num BET qualquer.
A luta por muitos objetivos progressistas ainda está muito longe do bom equilíbrio e deve continuar. No processo, entretanto, é necessário que se tenha em mente o objetivo da inserção, não do protecionismo. O protecionismo que salva uma vida num momento, pode, mais adiante, condená-la à mediocridade.
Tupã está brabo! Diziam minhas criaturas toda vez que eu trazia uma tempestade. Devo confessar. Sou meio barulhento mesmo.
Chamavam-me também de Yamandu e, ao contrário desses deuses criados á semelhança do homem, eu era e sempre serei energia pura, energia primordial que sempre existiu. Há de se convir que sou muito mais confiável que qualquer outro tipo de Deus.
Bom, diz a história que fui responsável pela criação do mundo. O Albert, sim o Albert Einstein, chegou a calcular como fiz isto com sua equação famosa:
E=m.c2 que também pode ser escrita como m=E/c2.
Ou seja, matéria é feita de energia e também pode ser convertida de volta a energia. O pessoal de Hiroshima que o diga!
Como podem ver, sou um deus bem científico. Entretanto, considerando que montei o mundo no Paraguai, exatamente num local chamado Areguá, tive que usar algumas metáforas para explicar o ocorrido.
Então, expliquei que desci até lá e com ajuda da Araci (não a cantora de samba, mas a Araci Lua) criei os seres viventes. Claro que em toda evolução, assim que surgem novas espécies há de haver os dois primeiros entre eles. O par de humanos nomeei de Rupave e Sypave, ou seja, “Pai dos povos” e “Mãe dos povos”. Sem dúvida, são nomes mais razoáveis do que os atribuídos pelo meu concorrente Jeová. Como é óbvio, Ru é pai e Sy é mãe. Esses dois, como era de se esperar, tiveram filhos melhores e piores.
Houve um deles que nasceu meio trapaceiro. Mentiroso, coitadinho! Hoje nascem sociopatas, psicopatas e alguns até se elegem presidentes. Pois Japeusá foi tão desprezado que acabou cometendo suicídio por afogamento. Fui benevolente e o ressuscitei na forma de um caranguejo. O castigo que lhe dei foi ter que andar de lado. Infelizmente outros deuses não fazem o mesmo. Alguns os associam a moluscos!
Fossem os deuses atuais tão astutos como eu, a Terra seria coberta desses tipos de bicho.
Eu tive um inimigo na minha criação. Seu nome era Tau. Um espírito antigo que se casou com uma das filhas dos homens, Terana.
Ela teve filhos meio monstruosos, tipo demônios, mas bem mais plausíveis que os demônios de Jeová. Eram mauzinhos conforme a noção do meu povo. Por exemplo, Luison representava a morte. Um deles, e apenas um deles, não era um monstro. Era na verdade considerado uma figura bela. Seu nome era Jaci Jaterê. Gostavam muito dele pois era o Deus da sesta, isso mesmo, daquele descanso na rede depois do almoço. Esse meu povo era, digamos, um tanto quanto dado ao sossego. Coisa tropical, sabe como é? Também eram chegados a um pouco de canibalismo. Figadozinho com mandioca, miolinho com tucupi, depois tomar banho no rio, uma transadinha na rede, um bom soninho. Do jeitinho que o Mário conta em Macunaíma!
Nasci para criar, vivo para arrebentar. Meus prediletos sempre foram os Vikings, povo que vivia nas regiões gélidas, que lembram minha terra natal.
Tenho muitos outros nomes pelo mundo afora, mas eu, Odin, sou o verdadeiro Deus da Guerra. Descendente do gelo mágico de Ymir, filho de gigantes.
No maior dos meus sacrifícios matei o titã Ymir para criar a humanidade e todos os seres viventes. Assim percebi que a destruição é também a renovação, como pensava Xiva, meu primo estrangeiro.
Notem que guerra por guerra não tem sentido. Guerra sempre foi o caminho mais rápido para a renovação e desenvolvimento. Assim a guerra se justifica e os guerreiros merecem o reconhecimento.
Eu criei as Valquírias e prometi os prazeres de Valhala a todos os mortos heroicamente nas batalhas. Usei isto já que os humanos não percebem o tempo como nós, nem tem clareza dos propósitos dos deuses. Outro primo distante, embora um pouco hesitante, deus dos mulçumanos, tenta me copiar de maneira equivocada. Na guerra, não há espaço para hesitação. Há que partir para arrasar. Não há espaço para mudar de opinião.
Já ouviram falar de que os fins justificam os meios? Já ouviram falar que pelas obras se mede o autor? Acho que sim. São palavras sábias, palavras divinas.
Tenho um primo que teve um filho predileto. Notem que todos nós, deuses, temos filhos prediletos, frequentemente filhos de mulheres humanas. Caprichamos tanto na manufatura desses entes sedutores que nem mesmo nós deuses ficamos imunes a seus caprichos. Foi assim com Hercules, Perseu e, até com Jesus. Eu sou um dos poucos que me contive. Hércules e Perseu eram guerreiros. Entretanto o filho de Jeová se distanciou dos nossos conselhos.
O resultado foi gigantesco e avassalador. Criou uma das mais perversas filosofias da humanidade. Mesmo não privilegiando a guerra, foi sua filosofia ou religião a que mais matou na face da terra. Matou por perseguições e para criar uma pureza religiosa. Uma guerra com poder de destruição, mas sem progresso.
O resultado dessa guerra foram mil anos de obscuridade. Criaram a idade média e a falta de progresso e avanço científico.
Seus líderes diziam pregar o amor, mas dominavam todos com o temor físico e psíquico. Inventaram culpa, confissão e submissão. Forjaram a opressão e os opressores.
Se olharem, portanto, para os fins, para as obras, vejam os resultados que produzi. Comparem a Dinamarca, Noruega e Islândia com México, Brasil e Portugal. Podem até incluir os Estados Unidos como qualidade da sociedade para chegarem à conclusão do que estou tentando mostrar. Mesmo os Estados Unidos acabaram por ter o desenvolvimento que tiveram por causa da guerra. Foi grande país a prover para a reconstrução da Europa destruída pela Segunda Grande Guerra Mundial. Foram de uma economia em desenvolvimento à maior economia da terra. Entretanto não se desenvolveram como sociedade exatamente por essa dicotomia, essa ambivalência criada pela religião.
Sou deus, mas não uso minha prerrogativa para enganar a humanidade. Sou duro, mas justo. Sou, principalmente, sincero.
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