WAGNER RODRIGUES POETA E CRONISTA

TEXTOS ORIGINAIS E PUBLICADOS NOS LIVROS DO AUTOR

Deus volátil das Sociedades Secretas (Poema de Deuses no divã)

Não gosto de política. Confrarias me irritam muito.

Desde muitos anos usam sua rede para benefícios mútuos, fechados entre si.  Grandes movimentos políticos e sociais tiveram por trás essa rede eficiente de agregados. Até aí nada a ver comigo.

Esses agregados, a princípio se dizem laicos, entretanto acolhem uma filosofia e um conceito de um Deus, digamos, genérico. Isso mesmo, não um Deus denominacional com marca registrada. Não um Jeová judaico ou um Alá mulçumano, não um Zeus grego ou um Odin escandinavo, mas um criador genérico, uma espécie de arquiteto da criação.

Esse Deus volátil e incomunicável me deixa preocupado. Como irá minha criação entender os meus desígnios? Esse Deus silencioso e desocupado com a humanidade me faz parecer um tanto relapso.

Criei e larguei ao Deus dará! Quero dizer, a ninguém dará.

Assim, esse eu, nem eu mesmo me entendo direito. Na verdade, assim, pareço um Deus esquizofrênico.

Essa gente faz uma salada de frutas de deuses. Vale qualquer coisa, de Jeová a Baal do paganismo pré-judaico. Até o próprio Lúcifer, deus dos satanistas e feiticeiros, pode entrar no jogo.

Preferiria fossem ateus. Pelo menos deixariam me locupletar na inexistência.

Disse o poeta, após a longa procura:

“Talvez nem Te ocupes de existir…

Me abandonas desesperançado,

Procurando e procurando…

Até que eu mesmo me junte a Ti.”

Ao menos na inexistência sou um Deus consistente.

Mas esse Deus genérico das lojinhas, Deus me livre de Mim mesmo!

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